domingo, 8 de junho de 2014

Não foram os preços das tintas que desmotivaram os desenhos nas ruas para receber a Copa do Mundo de 2014

imagem: olhardireto.com
O país está há poucos dias de sediar um dos maiores eventos do esporte mundial: a Copa do Mundo FIFA 2014. O desporto é o esporte mais popular do mundo e também aquele de maior visibilidade entre os espectadores nos quatro cantos do mundo.
E pela segunda vez os melhores jogadores do planeta aqui estão desembarcando, na intenção vencer a competição e erguer a suntuosa "taça FIFA".
Um fato que vem despertando a curiosidade e tem servido de debate entre estudiosos e observadores são a ausência das populares decorações de ruas com fitas coloridas e bandeirinhas e junto com as criativas pinturas e desenhos temáticos no chão das ruas das cidades, comemorando a chegada da tão esperada Copa do Mundo, realizada a cada quatro anos.
Era muito comum vermos em outras edições da competição, crianças e jovens pedindo alguns trocados entre vizinhos, onde arrecadavam valores suficientes para a compra de tintas e adereços, ficando os mais velhos encarregados de caracterizar no chão as ilustrações pertinentes a bandeira nacional e os mascotes que ficaram famosos como Juanito Maravilha, Naranjito e Footix. As músicas-tema eram calorosas e eram entoadas como uma jusante e montante de dentro do coração.
Mas então o que aconteceu? Afinal não desejávamos há anos sediar um evento tão grandioso em nosso país e que creditávamos que a realização desse se dava somente nos países ricos?
Estamos passando por uma transformação socioeconômica intensa e multifacetada. A informação está chegando em uma velocidade nunca antes vista.
Os noticiários estampam rotineiras matérias de suscetivos governos que não cumprem suas promessa de campanha, e esses sempre culpam o insucesso seus predecessores. Quase todos  são (ou estão) incapazes de gerenciar com seriedade nossas economias.
A falta de perspectiva e a crescente onda de desemprego geram incertezas e alimentam o descontentamento nas pessoas.
As desigualdades sociais vem tomando proporções sem limites e em muitos casos governos cobrem seus olhos desconversando sobre situações precárias, das misérias latentes e - como em um paradoxo, erigem obras faraônicas e caríssimas, aprovando orçamentos apresentados sem critérios técnicos ou previstos.
Nossas crianças estão sem comida na mesa e a escola ainda não é acessível em sua totalidade. Tivemos que contratar médicos de outros países para suprir a falta de profissionais na área da saúde. E o que dizer a respeito de nossas universidades que formam todos os anos turmas e mais turmas... Não seria atrativo o ordenado oferecido à eles?
Mesmo assim, na visão da diretora da Faculdade de Ciências e Humanas da PUC-SP é preciso ter cuidado ao atribuir valores de julgo a quem apóia ou não a realização da copa. "... torcer pela Copa não significa estar a favor da corrupção, por exemplo" são questões distintas, e que não serve de parâmetro para boicotar ou ser desfavorável a ela. 
Isso sem contar os movimentos de oposição partidária, de contra a Copa, das recentes manifestações de ordem trabalhista, classista, feminista, contra a homofobia etc
Os motivos deveriam ser vários. E não são. Alguns especialistas apontam que a Copa deveria ser realizada em outra oportunidade, desprezando as insistentes candidaturas do nosso país a sediar o evento, que mascaram os problemas sociais e econômicos que amargam nossa imagem no exterior.
O crítico musical e jornalista Nelson Motta credita tais argumentações afirmando que o que é "normal" para nós brasileiros em assuntos como assaltos a taxistas e de menores pedintes nas ruas, não são para os turistas estrangeiros que, de longe, sabe que esses problemas são típicos de países subdesenvolvidos - ou os chamados "em desenvolvimento".
Há quem também que aponta que, aos poucos, os valores culturais e folclóricos que viam sendo repassados por nossos antepassados vem se perdendo ao longo das décadas, dando espaço para novas ofertas da modernidade. O surgimento dos mais variados programas televisivos, dos jogos de videogame lançados anualmente, da a interação individualista dos computadores.
Se ontem a juventude conhecia os jogos de pião e saboreava doces de abóbora e paçoquinhas oferecidas em  festas juninas, hoje estão mais interessados em consumir novas tecnologias, deixando para uma segunda opção assuntos que fazem parte do convívio comum e que aos poucos vem se tornando mutáveis e substitutivas.
E que nosso o Neymar abocanhe a desejada taça. Senão que voltemos ao videocassete para chorar com Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet. PRA FRENTE BRASIL!     


Quem sou eu

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Professor é Pós-graduado em Gestão ambiental pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente desenvolve trabalhos na área de "Crimes Ambientais" e partilha seus conhecimentos através de publicações e debates

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