quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

E se a Lei Maria da Penha fosse Lei José da Lapa?

Crédito: José Roberto Radialista
Há quase dez anos o Brasil teve em inserido em seu mecanismo judiciário uma importante conquista nos direitos individuais e protetivos em favor da mulher: a Lei Federal nº 11340/2006, conhecida popularmente como "Lei Maria da Penha". Em síntese, a lei invocou instrumentos legais que protegem a mulher contra agressões físicas e psicológicas de seu companheiro. A violência doméstica é um dos maiores problemas sociais que vivemos e ocupa importantes posições nas estatísticas anuais, divulgadas pelos setores ligados ao governo, sociedade civil, igrejas e a imprensa.

Mas e quando essas agressões originam da própria mulher, esposa incumbida de direcionar o lar, que tem como atribuição bíblica de cuidar e educar os filhos, enquanto o marido está ausente, trabalhando ou exercendo alguma atividade? 

Qual mecanismo jurídico que assistirá esses homens enfadados, muitos deles que chegam em seus lares e encontram suas esposas embriagadas, desconexas do mundo, vendo os filhos desnutridos, quando não possessas de ciúmes desvaneados, com o coração inóspito?

Nosso papel aqui não serve para propagar qualquer doutrina de fundamentalismo machista, nem tampouco, crítica à democracia feminina ou liberdade idem. O Brasil vem passando profundas reformas em sua conjectura político, social, moral e religiosa, que facilmente provamos tais mutações em nosso dia-a-dia. Estruturadas correntes filosóficas, os mais variados seguimentos e temas vêm estampando os noticiários midiáticos e momentâneos, mascarando a verdadeira realidade da sociedade brasileira. Estamos vivenciando grandes transformações interpessoais, de mudanças comportamentais nas quatro classes sociais, as quais que nunca havíamos experimentados antes.

Em algumas periferias, comunidades e lares desestruturados, os direitos individuais conquistados pelas mulheres através das décadas, vêm demostrando sua força de modo errôneo, desarmonioso.  As senhoras do lar cientes da força que a lei Maria da Penha as protegem de eventuais embates conjugais, se escondem atrás desse escudo do direito brasileiro para intencionalmente (ou não) partirem para a agressão desenfreada, física e psicológica de seu companheiro, lançando neles talheres, copos, quando não chutes, empurrões, achando-se no direito de vasculhar suas carteiras, revisar números telefônicos discados na intenção de localizar algo "suspeito".

No livro O lado amargo do amor, de Eduardo Ferreira Santos, o ciúme visto como a principal causa da violência contra o homem. Lá a abordagem aponta que o altruísmo do amor cede seu lugar para o egoísmo, fator primeiro para a manutenção dessa posse doentia.

As violências e farsas que se escondem nos sentimentos surrealistas destas pessoas merecem apreciação e tratamento de especialistas. A invocação de situações emblemáticas e desastrosas - muitas delas fatais, precisam serem encaradas como problemas não só sociais mas também de caráter mental. A construção e base da sociedade é a família e ela tem como função primordial a partilha fraternal entre os seus entes e desses para com todos. 

O amor não é antônimo de ódio, de violência. O amor é por si só amor, e quem ama zela, cuida, não machuca.




   

 





terça-feira, 9 de setembro de 2014

A exposição excessiva e desnecessária de personagens gays na TV

Nos últimos anos, temos acompanhado pela mídia brasileira o crescente número de atores - iniciantes e consagrados, que vêm atuando nos palcos dos teatros e nas mais variadas telenovelas, interpretando personagens gays e figuras caricatas, expondo ao ridículo grandes nomes da teledramaturgia brasileira. 
Muitos desses atores são "obrigados" a encenar papéis pífios e sem conteúdo, pois tem contratos assinados e, como tal, devem ser cumpridos.
Nosso caput aqui em questão não é perdurar na temática do "Homossexualismo no Século XXI", nem tampouco, questionar as recentes conquistas  que esses optantes conseguiram junto à sociedade. Nosso mérito aqui seria indagar o porquê do excesso de personagens gays que estão nos programas e novelas da televisão brasileira.
Ao que nos parece ver, falta conteúdo intelectual por parte dos autores que escrevem essas obras de dramaturgia. Novamente aqui nada contra as opções particulares e comportamentais de cada pessoa, aliás tais direitos são garantidos por nossa carta magna; entretanto, ao analisar algumas peças teatrais e alguns folhetins semanais do horário nobre, facilmente denota-se que há uma imposição, uma forma obrigatória de aceitação do espectador de que a vida rotineira de determinados personagens são de uma rotina comum, que suas vidas estão inseridas normalmente no convívio social. O que na nossa realidade ainda não é harmoniosa.
Cabe-nos então lembrar  de alguns personagens que, recentemente, até chegaram a fazer sucesso junto ao público e que foram assunto em várias semanas depois do término dos folhetins. Felix é um deles. O ator, Mateus Solano, deu um show de interpretação e soube conduzir como poucos as extravagâncias de seu personagem, regadas de humor sórdido e recheado de bordões. Outro também que ousou na criatividade foi o ator José Wilker. Ele interpretou Ariel na novela Senhora do Destino. Há também outros, como o primeiro beijo entre duas mulheres na TV brasileira, como aquele exibido na minissérie Amor e Revolução, em que as atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre interpretavam duas amigas com repulsas escondidas, mesclando sentimento amoroso e "affairs" com ditadura militar sessentista.   
Ocorre é que nos últimos anos há carência, falta de criatividade literária nos textos de alguns dos nossos autores. Ridicularizar renomados atores e expor ao ridículo a opção sexual daqueles que simpatizam a ideia, não deveria ser promovida no horário nobre ou em qualquer outro de nossa já surrada programação televisiva. Percebe-se que, sutilmente, há certa imposição de determinados caricatos no contexto de quase todas as obras.
A diversidade sexual - atualmente em pauta nos chamados "Reflexos dos acontecimentos da sociedade" e ultimamente representada nas telinhas de nossa TV, parece que não está indo de encontro com realidade. Personagens cômicos, às vezes sensuais e que quase nunca trabalham; que vivem em casamentos fictícios, que sempre têm uma história lamuriosa e que em nada parecem com a vida real.
Um estudo publicado pela psicanalista Ângela Louzada Santos, demonstra que os trejeitos típicos de determinados homossexuais e suas condutas provêm de sua base existencial e que isso piora ou desaparece ao longo dos anos, mas que tais atitudes não podem ser vistas como hilárias ou aberrantes, pois a destruição da imagem de determinadas pessoas têm seus princípios feridos e atrapalham sua comunicação interpessoal entre os seus.
Saudades daqueles velhos personagens como Sassá Mutema, interpretado por Lima Duarte - que denunciava a fragilidade e a ingenuidade do homem do campo; do Seu Nonô Correia, papel de Ary Fontoura, que trancava a porta de sua geladeira com correntes e cadeado para que ninguém tivesse acesso aos alimentos lá guardados.
Não precisamos usar nossos atores para impor uma realidade fantasiosa, do mundo de Moacyr Scliar. Apresentar textos enxutos, bons personagens e com mobilidade literária renderá gloriosas audiências aos produtores, todavia, pois não podemos mais aceitar na grade da televisão textos desconexos e nem admitir a ridicularização de comportamentos que compete a cada um julgar e promover seu próprio comentário. Desde que seja feito com respeito.



terça-feira, 22 de julho de 2014

Os países da primeira Guerra Mundial se enfrentaram no Brasil cem anos depois

imagem: portal uol
No último dia 28 de junho foi "comemorado" os cem anos da primeira grande guerra mundial, eclodida no mundo velho. Os motivos e suas consequências todos nós sabemos, porém, as razões pelas quais motivaram os embates ainda perduram na mente daqueles que sofreram as atrocidades e os horrores.
 Passaram-se dez décadas iniciados pelos desentendimentos em que a Alemanha e Itália não se conformaram em ter que ficar com terras de baixo valor quando da partilha dos territórios da África e da Ásia com a Inglaterra e a França.
Os germânicos e os ingleses ficaram com a maior parte dos territórios e isso serviu de combustão para que as duas primeiras nações se revoltassem, iniciando assim os primeiros disparos de arma.
O pressuposto serviu também para que outras nações europeias acirrassem a concorrência político-econômica, disputando cada vez mais o mercado de consumidores, bélico e de matéria-prima. O clima tenso promoveu grandes investimentos na fabricação de armamentos e a preparação de militares que temiam conflitos a qualquer tempo.
As consequências...
Os mesmos países que anos atrás se envolveram nessas disputas e em tantas outras voltaram a se enfrentar novamente, mas desta vez não foi no velho continente e sim na América. O Brasil foi o palco desses embates acirrados.
Centenas de milhares de pessoas puderam assistir de perto, seja pessoalmente ou pela televisão, as quatro nações citadas, representadas por equipes masculinas de futebol organizada pela FIFA.
A grandeza do espetáculo foi de tamanha eclosão. Gigantes revestidos de cordialidade e respeito mútuo - para não dizer caráter, envolveram a todos, em especial seus compatriotas que de um lado das arquibancadas alguns sorriram e do outro se entristeceram.
Na semana seguinte ao dia do centenário a Alemanha erigiu as mãos para o alto, vibrando a vitória contra a toda poderosa França que, desolada, derrubava seus joelhos ao gramado; o mesmo se dava pela temida Inglaterra que soltava bravos de glória ao testemunhar a equipe italiana que estava lançada ao chão.
A guerra gerou e gera muitas dores e marcas na humanidade que nunca vão ser curadas ou apagadas. A incessante busca do homem pelo domínio e pelo poder vem desde os primórdios, e até hoje assistimos insultos, ofensas e agressões entre países que insistem em se colocar na posição de dominante/dominado.
Os esforços que a Organização das Nações Unidas vêm fazendo para que o cessar fogo seja definitivamente aclamado nos países da chamada África-Eurásia é relevante e é preciso que a população mundial se envolva nesta questão para que construamos um novo mundo, um mundo do bem e de paz.
Muitas ações estão sendo promovidas para que a paz mundial prevaleça e alcance seus objetivos, as quais estão elencadas na declaração universal dos direitos humanos. E que a paz no coração seja o paraíso dos homens, como bem disse o filósofo grego Platão.
Que possamos um dia presenciar o embate entre Arabia Saudita e Israel, entre Síria e os Estados Unidos. Mas no esporte. Que seja muitos brados e vitórias para ambos os times e que vença e prevaleça a união entre os povos e nações e que a bandeira da paz se hasteada e agitada freneticamente.


domingo, 8 de junho de 2014

Não foram os preços das tintas que desmotivaram os desenhos nas ruas para receber a Copa do Mundo de 2014

imagem: olhardireto.com
O país está há poucos dias de sediar um dos maiores eventos do esporte mundial: a Copa do Mundo FIFA 2014. O desporto é o esporte mais popular do mundo e também aquele de maior visibilidade entre os espectadores nos quatro cantos do mundo.
E pela segunda vez os melhores jogadores do planeta aqui estão desembarcando, na intenção vencer a competição e erguer a suntuosa "taça FIFA".
Um fato que vem despertando a curiosidade e tem servido de debate entre estudiosos e observadores são a ausência das populares decorações de ruas com fitas coloridas e bandeirinhas e junto com as criativas pinturas e desenhos temáticos no chão das ruas das cidades, comemorando a chegada da tão esperada Copa do Mundo, realizada a cada quatro anos.
Era muito comum vermos em outras edições da competição, crianças e jovens pedindo alguns trocados entre vizinhos, onde arrecadavam valores suficientes para a compra de tintas e adereços, ficando os mais velhos encarregados de caracterizar no chão as ilustrações pertinentes a bandeira nacional e os mascotes que ficaram famosos como Juanito Maravilha, Naranjito e Footix. As músicas-tema eram calorosas e eram entoadas como uma jusante e montante de dentro do coração.
Mas então o que aconteceu? Afinal não desejávamos há anos sediar um evento tão grandioso em nosso país e que creditávamos que a realização desse se dava somente nos países ricos?
Estamos passando por uma transformação socioeconômica intensa e multifacetada. A informação está chegando em uma velocidade nunca antes vista.
Os noticiários estampam rotineiras matérias de suscetivos governos que não cumprem suas promessa de campanha, e esses sempre culpam o insucesso seus predecessores. Quase todos  são (ou estão) incapazes de gerenciar com seriedade nossas economias.
A falta de perspectiva e a crescente onda de desemprego geram incertezas e alimentam o descontentamento nas pessoas.
As desigualdades sociais vem tomando proporções sem limites e em muitos casos governos cobrem seus olhos desconversando sobre situações precárias, das misérias latentes e - como em um paradoxo, erigem obras faraônicas e caríssimas, aprovando orçamentos apresentados sem critérios técnicos ou previstos.
Nossas crianças estão sem comida na mesa e a escola ainda não é acessível em sua totalidade. Tivemos que contratar médicos de outros países para suprir a falta de profissionais na área da saúde. E o que dizer a respeito de nossas universidades que formam todos os anos turmas e mais turmas... Não seria atrativo o ordenado oferecido à eles?
Mesmo assim, na visão da diretora da Faculdade de Ciências e Humanas da PUC-SP é preciso ter cuidado ao atribuir valores de julgo a quem apóia ou não a realização da copa. "... torcer pela Copa não significa estar a favor da corrupção, por exemplo" são questões distintas, e que não serve de parâmetro para boicotar ou ser desfavorável a ela. 
Isso sem contar os movimentos de oposição partidária, de contra a Copa, das recentes manifestações de ordem trabalhista, classista, feminista, contra a homofobia etc
Os motivos deveriam ser vários. E não são. Alguns especialistas apontam que a Copa deveria ser realizada em outra oportunidade, desprezando as insistentes candidaturas do nosso país a sediar o evento, que mascaram os problemas sociais e econômicos que amargam nossa imagem no exterior.
O crítico musical e jornalista Nelson Motta credita tais argumentações afirmando que o que é "normal" para nós brasileiros em assuntos como assaltos a taxistas e de menores pedintes nas ruas, não são para os turistas estrangeiros que, de longe, sabe que esses problemas são típicos de países subdesenvolvidos - ou os chamados "em desenvolvimento".
Há quem também que aponta que, aos poucos, os valores culturais e folclóricos que viam sendo repassados por nossos antepassados vem se perdendo ao longo das décadas, dando espaço para novas ofertas da modernidade. O surgimento dos mais variados programas televisivos, dos jogos de videogame lançados anualmente, da a interação individualista dos computadores.
Se ontem a juventude conhecia os jogos de pião e saboreava doces de abóbora e paçoquinhas oferecidas em  festas juninas, hoje estão mais interessados em consumir novas tecnologias, deixando para uma segunda opção assuntos que fazem parte do convívio comum e que aos poucos vem se tornando mutáveis e substitutivas.
E que nosso o Neymar abocanhe a desejada taça. Senão que voltemos ao videocassete para chorar com Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet. PRA FRENTE BRASIL!     


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os estilos musicais e as mudanças de comportamento na sociedade


Não é de hoje que a juventude vem experimentando estilos musicais, sobretudo aqueles que ditam modas e regem comportamentos. Jovem Guarda, Tropicalismo, Heavy Metal, Reggae, Beatles Forever, Festivais da TV Record e de Woodstock/EUA são alguns desses seguimentos que ainda pairam pela memória, sobretudo de quem tem mais de quarenta anos. E eles não param por aí.
No mundo contemporâneo e na velocidade que a informação chega até nós, as criações musicais inspiram poetas e curiosos. As mais diversas composições e sonoridades interagem com o ouvinte. Cabe cada um escolher aquele que melhor ressoa em seus ouvidos e mergulhar nas notas musicais.
Ocorre que nos últimos anos as letras musicais vem ganhando destaque nos noticiários a respeito do conteúdo e da mensagem intencionada. Tomemos como exemplo a eletrizante música Beijinho no Ombro da aspirante a atriz e funkeira Valesca Popozuda. Nada contra o estilo musical nem com a beldade. Nossa intenção é meramente debater as novas formas de musicalidade e de comportamento.
Pois bem, no nosso mundo globalizado cada vez mais o individualismo vem se tornando realidade e tomando corpo junto aos nossos jovens. Se antes as rodas de samba e pagode dividiam mesas de bares em gostosos bates-papo e o rock and roll expunha a rebeldia juvenil, hoje o funk e sua extensão funk-ostentação vem ganhando mais espaço nas mídias e nas camadas sociais mais privilegiadas, deixando esses estilos musicais a certa distância do retrovisor.
Como mesmo diz a cantora, ela e seu estilo "representam a voz da favela, da classe média e do condomínio de luxo". 
As músicas funkeiras estão presentes nas novelas, nos comerciais, nos programas de auditório, nos entretenimentos. As letras pregam o consumismo, o poder paralelo, a sexualização, refletem o pensamento dos menos favorecidos, influenciam as ações da molecada, descompromissam relações familiares e afetivas. 
Na letra da senhora Valesca não é diferente. Faz mau uso da crença religiosa, anseia ironicamente "vida longa" aos seus desafetos e as compara como animais; se mostra inteligente mas não é intelectual e isso se comprova ao misturar à letra da música palavras estrangeiras com termos informais e chulos, como "rala", "pras" e "mandada". 
Embora faça parte desse gênero a voz e a vez da periferia - e por conseguinte a naturalização da violência, não se explicou as recentes mortes dos funkeiros MC Daleste e MC Primo. Se essa vertente expressa os pensamentos das classes menos favorecidas quem são os interessados nas mortes desses infelizes? Seriam os críticos elitistas? Seria um genocídio cultural? De certo não se sabe, e as forças policiais vem desempenhando seus papéis para nos darem esta resposta. 
Há quem diga que Jean Jacques Rosseau teria uma excelente reflexão sobre o assunto e decerto apontaria que a sociedade é quem estragou tudo isso. As expressões artísticas e os pensamentos são livres e também dariam um bom prato de estudo para o pesquisador e psicólogo americano B. F. Skinner, com seu estudo sobre o comportamento humano a partir da interação entre o indivíduo e o ambiente. 
Não precisa ter dados suficientes ou estudos aprofundados para se determinar os resultados de determinadas ações e suas consequências. Como o próprio teórico publicou "(...) Assim pode-se dizer que o ambiente seleciona grandes classes de comportamento.
Seria luxo ou lixo? E vamos para a balada!


segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que o estado de São Paulo tem a ver com a chegada dos Haitianos?


No mês de abril, o país vem acompanhando a entrada de centenas de imigrantes haitianos pelo norte do Brasil que ainda fogem das terríveis consequências de um terreno que devastou aquele país em 2010. Eles chegam em busca de oportunidades de emprego e de sobrevivência, deixando para trás filhos, esposas e familiares.
E esta semana também ouviu as declarações (para não dizer reclamações) do governador do estado do Acre, Tião Viana (PT/AC), sobre a negativa do governo paulista de também recepcionar esses haitianos oriundos da cidade de Brasiléia, pequena cidade localizada a 300 quilômetros de da capital Rio Branco. As trocas de acusações entre os dois governos renderam comentários nas colunas da grande mídia, e geraram desconforto entre setores do Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, da Secretaria de Direitos Humanos e de entidades ligadas à Igreja e sociedade civil.
Tio Viana disse que devido a posição geográfica, seu estado é porta de entrada dos haitianos para o Brasil e que recebe inúmeros desses imigrantes todos os meses. Para melhor recepcioná-los o governo chegou a construir um galpão de quase 5000 que serve de abrigo.
Nos últimos meses houve uma chegada descontrolada desses imigrantes, levando o governador a declarar estado de "emergência social", tendo em vista que o estado não possui mais estrutura e orçamento para recepcionar esses refugiados. Ele ainda atribuiu insensatez e omissão no assunto por parte do Governo Federal e do Ministério das Relações Exteriores, os quais deveriam manter diálogos com o Equador e Peru sobre a questão. É por esses países onde começam o percurso e que deveriam ser exigidos vistos de entrada, minimizando os transtornos diplomáticos em quase 90%.
Segundo a revista "Veja" o posto da Polícia Federal localizado na cidade Epitaciolândia - vizinha à Brasileia, registrou só no ano de 2012 a entrada de mais de 10.000 haitianos, ou 74% do total desses estrangeiros que cruzaram nossas fronteiras.
Ainda de acordo com o semanário, mais da metade do destino desses haitianos são a região sudeste, que carece de mão-de-obra que o brasileiro não quer mais ocupar como os setores de limpeza, de frigorífico e de construção civil.
O governo paulista criticou as ações de Tião Viana que vem pagando passagens de ônibus, só de ida, para os refugiados, com destino à São Paulo, sem avisar ou sequer trabalhar em ações conjuntas para solucionar a questão.
Por sua vez, Tião Viana alega que seu estado sempre foi acolhedor e porta de entrada de haitianos, mas não tem como segurá-los lá, nem tampouco ofertar empregos. Lembrou em tom irônico que o país é uma republica, e como tal não pode impedir o ir e vir de qualquer pessoa  e que a concentração de emprego e da riqueza do país está na região sudeste. Aproveitou para dizer que o governo paulista - chamado por ele de "elite paulista" vem tratando o assunto de maneira desrespeitosa aos direitos humanos, que há presença xenofóbica na questão e que há preconceito racial com "apenas" 400 haitianos. Ele afirmou que se fossem imigrantes brancos europeus, haveria tapetes vermelhos e espetáculos midiáticos na recepção.
A concentração deles está na região central da capital, sobretudo no bairro do Glicério. A Paróquia Nossa Senhora da Paz - conhecida por oferecer abrigo, alimentação e assistência humanitária à peregrinos, vem recebendo diariamente dezenas de haitianos que não tem para onde ir e se abastecem de apenas uma refeição diária. A entidade religiosa é ligada à Pastoral do Imigrante (CNBB).
É preciso que ações humanitárias deem lugar aos caprichos de oposições políticas. O Brasil é conhecido mundialmente por ser um país acolhedor, pacífico e com uma mistura de culturas capaz de superar quaisquer dificuldades que possam surgir.
O caso do êxodo dos haitianos merece ser tratado como uma questão humanitária, sendo desnecessário saber para onde irão e como eles chegaram em nosso país. Isso é desembaraço diplomático e deve ser tratado como segunda parte.
A vida humana merece ser respeitada e tem que ser prioritária em todos os aspectos. E todos nós temos este compromisso.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Os perigos que cercam nossa juventude conectadas à web



Pelo menos em alguma vez nos noticiários nós escutamos sobre os perigos que pessoas mal intencionadas promovem na internet, quando a questão são as divulgações de imagens e vídeos de conteúdo adulto, sem o consentimento da(s) pessoa(s) contida(s) nas imagens. Se isso já é constrangedor - e caso de polícia!, agora é a vez das crianças e de adolescentes que, devido a era digital com o fácil acesso aos celulares e aparelhos portáteis conectados à  rede mundial de computadores, divulgam entre si e seus círculos imagens e vídeos de jovens na rede pelo simples motivo de debochar do próximo, quando não por vingança ou então sem nenhum objetivo específico, fato que vem se tornando cada vez mais frequente.
Com o surgimento de novas tecnologias surgem também novas informações e vocábulos. Palavras como deletar, bullying, dar um print, aparecem com frequência nos diálogos entre jovens e adultos que compartilham dados e interagem com suas experiências. Entretanto, pouco ouviu-se falar em sexting ou revenge porn. Essas duas últimas palavras, embora pouco conhecidas sonoramente, são práticas que vêm se tornando cada vez mais frequente nos ambientes virtuais, e que a cada dia vem tirando o sono de pais, professores e pessoas vitimadas pela ação caluniosa. O primeiro termo consiste em promover, através do celular, imagens e vídeos de cunho erótico sem o consentimento de quem aparece no conteúdo; o segundo, precede da mesma forma que o outro, porém, com a intenção de vingar-se da pessoa apontada na mídia digital.
Os motivos podem ser muitos desde uma vingança, uma revanche, o fim de uma relação amorosa. Ou então nenhum, simplesmente pelo motivo de achar graça na exposição indevida de quem aparece no conteúdo ou porque se os amigos o fazem a prática também deve ser seguida.
As crianças e adolescentes são alvos fáceis de criminosos virtuais e de pedófilos, que alimentam a internet com a captação e recirculação de imagens e vídeos eróticos em jovens são os protagonistas. Se antes a simples exposição do nu se limitava a um casal e um certo comentário fantasioso entre jovens na escola vivenciavam a sexualidade, hoje ela extrapola os limites da realidade pessoal, tornando experiências e intimidades em algo comum, de fácil acesso à pessoas que sequer conhecemos.
Só para ter uma ideia, de acordo com um estudo europeu denominado "EU Kids Online" a faixa etária dos jovens alvos da disseminação pornográfica está entre os 9 e 16 anos. 
No Brasil, A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) tem como tema da campanha da fraternidade deste ano "FRATERNIDADE E O TRÁFICO HUMANO". Dentre os assuntos polêmicos abordados na campanha está a questão da exploração sexual de jovens e de adultos por pessoas e grupos que intencionam a divulgação de material ilícito na internet. 
Na imensa velocidade em que nossos jovens estão absorvendo conhecimentos ofertados pela gama de informações, há hoje nos adolescentes aquilo que se chama de culto ao belo, da vaidade exacerbada, do que é bonito. E isso se torna um perigo pois quando um conteúdo se perde jovens são motivos de gracejos e se tornam presas fáceis para comentários inconsequentes. Eles são alvos, peças-chaves de criminosos que se alimentam da divulgação indevida de brincadeiras maldosas, sem se importarem se esses estão com a emoção abalada ou se resultaram em brigas familiares pela surpresa conhecida.
É necessário que a escola, pais e educadores conciliem experiências, criem métodos e chamem seus jovens a um diálogo aberto, sereno, para evitar que fatos constrangedores não aconteçam, assim preservando sua integridade físico-psicológica. 
Dialogar, explanar os cuidados de acesso à internet e os perigos de seu uso em excesso são alguns dos meios de interlocução com os jovens. Isso facilita a inserção deles no mundo físico e virtual. Convém lembrar que restringir o acesso às mídias e à rede mundial está fora de cogitação e isso não pode ser apontado como causa ou culpa. As tecnologias estão ao nosso favor e servem como instrumentos de aprendizado e de comunicação entre todos. 



terça-feira, 25 de março de 2014

De quem é a culpa pela falta da água em São Paulo?



Nas últimas semanas a população paulista tem acompanhado pelo noticiário  a preocupação do governo do estado sobre a escassez de chuvas, desestabilizando cada dia mais os níveis das bacias hidrográficas que abastecem a região metropolitana da capital.
Contudo, não bastasse a notória preocupação do chefe do executivo por causa da baixa dos níveis dos reservatórios, ele também iniciou involuntariamente o chamado "conflito hídrico", em que figuram o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, das possíveis e surpreendentes articulações de alianças para compor a mesa de gestão na bacia do Ribeira e da decepção dos membros do CEIVAP (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul), que souberam que o chefe paulista irá recorrer ao governo federal para usar 5 m³/s da vazão do Rio Paraíba do Sul.
Técnicos e analistas da área, indicam que a ausência de investimentos e falta de planejamento de fontes alternativas ao longo dos últimos cinquenta anos são os grandes responsáveis pela instabilidade das reservas de águas, minimizando a culpa de fatores climáticos pela falta de chuvas.
O que é certo tem que ser corrigido: debates que promovam soluções concretas, objetivas, e que somadas às parcerias vindouras são elementos que findam a angustiante e costumeira preocupação da população em ter garantido um de seus bens mais preciosos. A água benta de cada dia!








quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tancão da Morte no bairro Guaraciaba em Santo André/SP: Aterrar a lagoa resolverá o problema da população?


As notícias vinculadas na imprensa sobre a morte de adolescentes que se afogaram em uma lagoa no bairro Guaraciaba, município de Santo André, chocaram não só os familiares dos jovens, mas também de grande parte da população que não se conformam com o descaso das autoridades em não dar uma solução para frear as constantes mortes no “Tancão da morte” – como é conhecido na região.

O local era uma antiga estação de extração de areia nos anos 70 e devido as constantes escavações no solo, surgiram mais de 50 minas d´agua, elevando a água subterrânea ao nível do tanque, inviabilizando então a atividade extrativista. Como o local ficou abandonado, virou atrativo para moradores em querer usufruir das águas advindas.

Várias promessas de campanhas eleitorais sugeriam a criação do Parque do Guaraciaba, quando no início dos anos 90, na gestão do então prefeito Celso Daniel, construíram no local quadras poliesportivas, guaritas de segurança e área própria para natação. Porém a realidade durou pouco, pois a área de 500.000 metros quadrados foi fechada devido a um imbróglio judicial em que não houve acordo entre os antigos proprietários da área e a prefeitura local.

As mortes por afogamento continuaram a ocorrer.

Com o recente caso dos adolescentes mortos, surgiram novas perspectivas sobre o futuro da área. O atual prefeito Carlos Grana (PT-SP avalia projetos que vão desde uma PPP (Parceria-Público-Privada) para a ampliação do local para fins de aterro sanitário e depósito de entulho, até a construção de apartamentos populares. Questionado sobre a criação de um parque propriamente dito e a região ser carente de espaços de recreação e de lazer, Grana disse que a informação também está inclusa na pauta da administração municipal, responsável em avaliar os estudos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Catadores de materiais recicláveis invadem área preservada

Segundo a publicação do site de notícias G1, uma família de catadores de recicláveis da cidade de Tietê, interior de São Paulo, invadiu uma A.P.A. (Área de Preservação Ambiental), onde abriram uma clareira no meio da mata depositando grande quantidade de plásticos e outros materiais por eles recolhidos. A informação partiu de um denunciante, que comunicou o fato as autoridades locais que autuaram os responsáveis pela ação e estipularam o prazo de 24 horas para a liberação da área.




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Professor é Pós-graduado em Gestão ambiental pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente desenvolve trabalhos na área de "Crimes Ambientais" e partilha seus conhecimentos através de publicações e debates

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